terça-feira, 24 de abril de 2012

“VEJA” FOMENTOU ATIVIDADE CRIMINOSA, diz deputado

Deputado Fernando Dantas Ferro questiona a ética jornalística e o denuncismo da revista "Veja" (Foto: José Cruz/ABr)

DEPUTADO AFIRMA QUE REVISTA "VEJA" FINANCIOU ATIVIDADES ILEGAIS DE CACHOEIRA

Fernando Ferro, do PT de Pernambuco, quer que os dirigentes da editora Abril sejam chamados para depor na CPMI que vai investigar as ligações do bicheiro com políticos

Por Raoni Scandiuzzi, da “Rede Brasil Atual”

“Depois de subir à tribuna da Câmara e dizer que a revista "Veja" é “o próprio crime organizado fazendo jornalismo”, o deputado federal Fernando Ferro (PT-PE) afirmou em entrevista à “Rede Brasil Atual” que o veículo de comunicação "fomentou, incentivou, financiou esses delinquentes a terem esse tipo de comportamento", referindo-se à rede ilegal de atuação do contraventor Carlinhos Cachoeira

O deputado defendeu que os responsáveis pela revista prestem esclarecimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) criada para investigar a rede ilegal de atuação de Cachoeira e que sejam tratados como réus. Escutas feitas durante a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, mostraram conexões entre o grupo do contraventor e o diretor da sucursal de Brasília da publicação semanal, Policarpo Júnior.

Este mês, “Veja” divulgou reportagem afirmando que a CPMI é uma "cortina de fumaça" criada pelo PT para desviar o foco do julgamento do mensalão, que será realizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A notícia levou Ferro a lamentar que a revista atue dessa maneira.

Perguntado se a convocação de representantes do "Grupo Abril" não afetaria a liberdade de imprensa, Ferro afirmou que as atividades da “Veja” têm conexão com o crime organizado, e não com o jornalismo. Para o parlamentar, o dono da "Editora Abril", Roberto Civita, deve ser tratado como réu nessa investigação.

Confira abaixo a íntegra da entrevista com o deputado Fernando Ferro, um dos candidatos a integrar a CPMI do Cachoeira:

--Por que levar um órgão de imprensa a uma CPMI?

Caberia ao órgão de imprensa trazer esclarecimentos sobre essa relação, o porquê de tantos telefonemas identificados na investigação da Polícia Federal.

--Você falou em requerer a presença de Roberto Civita.

Independentemente de quem seja, o Civita ou não, os responsáveis pela "Veja" terão de responder sobre isso.

--Há uma relação da "Veja" com essas atividades ilegais?

É uma relação estranha, que tem laços de cumplicidade com esse submundo. Na verdade, isso vem lá de trás, em vários momentos. Essas denúncias espetaculosas da "Veja", todas elas estão sendo lastreadas por esse processo de espionagem e arapongagem. Em termos de ética jornalística, isso é muito questionável. A "Veja" fomentou, incentivou, financiou esses delinquentes a terem esse tipo de comportamento.

--Isso poderia colocar em risco a liberdade de imprensa?

A "Veja" tenta formar uma ideia de que nós estaríamos querendo restringir "a liberdade de imprensa". Essa é uma medida esperta e calhorda dela de justificar a sua ação criminosa. Eles querem falar "em nome de toda a imprensa", mas não é verdade, essa prática, esse estilo, é próprio da "Veja". Ou seja, ela praticou ações criminosas e agora quer colocar o conjunto da imprensa no Brasil como vítima. Ela é ré, vai ter que trazer esclarecimentos à CPI.

--Há quem defenda esse tipo de jornalismo a qualquer custo.

Essas ações da "Veja" têm tudo a ver com crime organizado, não com jornalismo.

--Por que no Brasil há uma tendência de punir exclusivamente os políticos que estão envolvidos em atividades ilegais, sendo que elas possuem muitos lados?

Há uma ação política e ideológica de incriminar um partido político, ou uma orientação, ou uma corrente política. Na verdade, não há preocupação com a informação. Estão preocupados em incriminar alguém que está governando o país.

--O senhor está falando da "Veja", especificamente?

A "Veja" criou a figura do bandido colaborador, que é alguém que atende aos interesses dela, e com o qual ela criou um nível de promiscuidade tão grande que você nem sabe quem é mais bandido. Na verdade, os dois são.

--Em sua opinião, quem mais deve ser chamado para depor na CPI?

A partir da investigação da Operação Monte Carlo, você tem os vínculos de articulação criminosa, de envolvimento entre os personagens dessa teia criminosa; então, todos eles, tanto agentes públicos quanto privados, deverão ser chamados para prestar esclarecimentos.”

FONTE: reportagem de Raoni Scandiuzzi, da “Rede Brasil Atual”. Transcrita no portal de Luis Nassif  (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/veja-fomentou-atividade-criminosa-diz-deputado#more)

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